sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Documentário da Portuguesa Maria fala da ditadura brasileira. Ganha prêmio em Gramado.




                         
 Eleito melhor filme estrangeiro no 41º Festival de Gramado, encerrado no sábado passado, o documentário “Repare bem”, que chega às telas nesta sexta, foi o caminho encontrado por sua diretora, a portuguesa Maria de Medeiros, para decifrar o conceito brasileiro de democracia. Namorada de Bruce Willis em “Pulp fiction — Tempo de violência” (1994) e estrela de cults europeus como “Ovos de ouro” (1993), a atriz de 48 anos se firmou como cineasta quando seu primeiro longa, a ficção “Capitães de Abril” (2000), foi aclamado mundialmente com seu olhar para o processo revolucionário em Portugal, em 1974. Agora, em seu mais recente exercício como realizadora, ela se concentra nos bastidores da ditadura militar no Brasil.
— Há muito tempo eu desejava falar do Brasil. E já era hora de alguém falar da reparação aos atos de violência contra famílias que foram separadas pelo regime político autoritário sob o qual vocês foram governados — diz Maria, que ganhou ainda o prêmio da crítica e o troféu Dom Quixote (da Associação Internacional de Cineclubes) pelo longa-metragem.
Na telona, os anos de chumbo são revividos em detalhes em “Repare bem” conforme a ex-militante Denise Crispim, presa e torturada durante uma gravidez, em 1970, relembra seu périplo para fugir do país. A morte de seu companheiro, Eduardo Leite, o Bacuri, foi o estopim para sua peleja para deixar o Brasil, carregando a filha de ambos, Eduarda, e sobreviver no exterior, em exílio.
“Lilith” em negociação
O mote do filme é o depoimento de Eduarda na Comissão da Verdade, que alimenta o fluxo de recordações de sua mãe.
— O que mais me surpreendeu quando fui debater o filme em Gramado, há uma semana, foi ver a expressão de surpresa de tantos brasileiros diante da luta que muitos de vocês travam aqui para ressarcir as vítimas da ditadura — diz Maria, hoje em cartaz em São Paulo, no Teatro Tuca, com a peça “Aos nossos filhos”, escrita por Laura Castro.
Também conectado aos tempos do regime ditatorial brasileiro, a partir da relação entre uma ex-militante de esquerda e sua filha homossexual, o texto teatral de Laura será transformado em filme por Maria, como longa de ficção. A cineasta negocia ainda atuar no novo longa do carioca Bruno Safadi: “Lilith”, sobre o mito da primeira mulher da Terra.
— Venho de uma geração de portugueses que cresceu ouvindo Gil, Caetano, Chico. Tenho muito interesse em filmar mais no Brasil — diz a atriz.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/maria-de-medeiros-lanca-documentario-premiado-em-que-fala-da-ditadura-brasileira-9665426#ixzz2cnlR18le 




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